sexta-feira, maio 31

De passagem...

 
      O cérebro ativo, barulhento e alimentado por extensos parágrafos é arranjo para a simbiose que a aleatoriedade dos espaços dispostos vem a multiplicar e propor infindáveis desajustes para se organizar no meio e nas margens do caos.

quarta-feira, maio 8

Devaneio

Livres, feito cobaias dentro do que somos; do que és
Vivenciando os próprios medos, auto-destruição da subjetivação
O impalpável não tem nome, não há senhores, muito menos donos
Vai e lança-te à dança, ciberneticamente...
A omissão dos próprios quereres é o assassinato mais cruel
É a morte vegetativa da própria existência.


Raquel García.

terça-feira, abril 23

Fragmento da liberdade


Páginas brancas, amareladas e manchadas
Perfuminho de Sebo, embalagem do novo
Letras em suas variáveis formas me interessam.
Faço orelhas e marco os movimentos das páginas
Cotidianamente faz  companhia 
Para a solidão de uma paulista
É romance, narrativa, crônica, ficção científica
Do prefácio aos agradecimentos
Sacoleja minha minha mente
Abarrota a existência, borbulha, transfigura;
Fazendo de mim, um ser liberto e in(can)descente!


Raquel García.

sexta-feira, abril 19

Somos todos ameríndios

Os efeitos da colonização 
Ainda é uma ferida aberta
Sepultaram os donos da terra
E hoje, seus descendentes penam
Sobre a rotação do capital
Vivenciam o genocídio em massa
Onde suas etnias se liquidificam


Homens ditos civilizados
Carregam a desumanidade e a cruz
Silenciando o canto da terra
Mas para aqueles que sobrevivem
Passa-se de geração a geração
o protesto e a reinvidicação

São os índios, os verdadeiros donos do Brasil
Marcaram em mim a ascendência ameríndia
O grito que não deve ser banido
Nós estamos contra a força armada
Contra o poder público ilegal
Pois somos Xingu, Kaiowá,
Xerente, Munduruku, Tubinambá...


Raquel García.

terça-feira, abril 9

Translação

Sobre a linha que se põe
E a linha que nasce
Em movimento de translação
Hora beijo em sol
Hora estalo os lábios em lua
no céu, na tua
entre o fechar do olhos,
na boca sua!
Além do espaço
Cá me encontro
Na inquietude horizontal
dos corpos sem gravidade

que sucumbem o desejo dimensional

Raquel García.

domingo, março 31

Doce e amarga, igual o café.

Os ramos que ferem as palmas de minhas mãos
marcam a simbiose dos sentidos que ilustram
meus olhos fixos e famintos 
naquele gosto de café agridoce

São várias xícaras sobre um pires sem fundo
por serventia de uma negra desbotada pelo mundo
brisa que bate em minha face sensível
frutifica a raiz que se perpetua na terra ácida

O cheiro forte e marcante do café
ficou no solo adubado pelo sangue
sangue que esvaiu de minhas costas chicoteadas
perfume do ancestral numa terra açoitada.


Raquel García.


terça-feira, março 5

O marco em março

Ser humano; MULHER!
Num saguão de cinzas
Não há perfume da rosa
Sobraram os vestígios
lembranças da luta
do manifesto e do luto
Que não se pode apagar
da história e memória

Alcancemos a consciência
leitura, prática e respeito
Pela fome por igualdade 
De março a março...
todos os dias possíveis
Enquanto nos sufocar
a ortodoxia da inconsciência
presente na humanidade.


Raquel García.

quarta-feira, fevereiro 27

Conhecimento é arma

Que a justificativa do soco, não seja a minha postura
Que a culpa do meu choro de dor, não seja a minha roupa 
Que o rótulo “passional”, não camufle a opressão
Que pratos e panelas não sejam o meu divertimento de infância
Roubando minha autonomia e fazendo com que eu seja
Um molde e reflexo de uma cartilha ultrapassada
De como devo me vestir, pensar e agir.
Sou humana, e não é minha genitália que vai me fragilizar
Não é o meu corpo escultural, magro ou gordo que vai dizer 
Como você deve me estereotipar ou mandar!
Olhe, estou armada!
Tenho conhecimento e uma boca para falar.

Raquel García.

quinta-feira, fevereiro 14

Desinfectação Mental

A desinfectação mental
produz ideias
à prova desse pudor
que se desenvolve
nas falácias do tumor social
e vestígios ditatorial
só lamentos...

Sobre a recusa das contradições
da incompletude
e distinção dos loucos
o ser livre e consciente de si
gera disritmia
no pulso do conservadorismo

Submeter-se não é preciso!
Fiquemos nus e sejamos sapiens.
Que sejam feitas as vossas vontades
despindo a carcaça dos conceitos
pré-moldados e lacrados

Raquel García.

domingo, fevereiro 3

Ao que se faz

Que haja amor
ao se encontrar
sendo útil
para proliferar-se
na própria arte


Que haja amor
em cada ação
ao tornar-se mamebmbe
em meio ao cotidiano


Que haja amor
nesse anseio
por evoluir
e não marcar
Os números
Dígitos comuns
e estáticos.


Raquel García.