sábado, outubro 11

Espuma

Espumo minhas vontades
Pulverizo a necessidade
De sentir-me inteira
Atiçando prazer
De verdade

Direciono-me através da mente
Não indago,
Me faço quente

Arrepio na pele
Extravaso,
Me moldo,
Desoriento

Reservo o querer para mim
Quando solta
Compartilho 

Território dermo-gráfico
Exploro sozinha
Ou acompanhada

Pele palco principal
Do arrepio, do silêncio
Sem nenhum pio

Dança dos dedos
Em cada área do corpo
São linhas
Contornos
Entre xêros
E sopros

Agora ferve
... Molha!
Espuma todo o ambiente
Feito bolhas
(Dengosa)

Querer desintegrar
Transcender
Dar
E gemer

O silêncio desfaz
Suspiro música faz

Sua boca em minha vulva
Faz-me rio
Do seu mergulho.

Raquel García

Ao gosto do gozo na despedida de agosto

Sua voz ao pé do ouvido instigava o amor guardado em mim à vir aflorar. Enquanto eu me amava, você sentia meu toque. Através da proximidade de nós dois inertes numa cama ao amanhecer da despedida de agosto sentíamos o gosto, enquanto eu me tocava você acariciou meu mamilo, assim, ofeguei disparadamente. Trocamos vibrações, quando percebeu meu molhar, você me invadiu! Perfumamos o ambiente.. fodemos gostoso; ao nosso gosto, até a carne ceder ao gozo.

Raquel García

segunda-feira, agosto 11

Escola

Por detrás de muros
Janelas e grades
Querem formar o senso comum
De cidadãos da baixa classe

Alguns se viram
Tentam criar o novo
Portando apenas giz
Papel e lápis

Corredores de concreto
Frio e escuro
Salas lotadas
Com aspecto de cárcere

São situações aleatórias
No cotidiano emergente
Da escola
Do professor
Aluno
E inspetor
É urgente!

Falta estímulo
Falta cadeira
Ideias massacradas
Na ausência de perspectiva
Sentados sobre a mesa

De costas para o muro
Roda moinho
De acerto ao desmundo
Roda pião

A formação para mão de obra
Tecnicista e reacionária
Não me representa, não!

Raquel García.

quarta-feira, julho 23

Fluidez

Qual o pudor em torno
da subjetividade do meu conhecer do meu tocar
- Da minha masturbação?

Meu sexo inicia na descoberta dos meus dedos na minha vagina

Transcenda esse tabu
enquanto me reprimem
meu orgasmo flui!

Raquel García.

segunda-feira, junho 2

Páginas passagens

Rodovia
Ferrovia
passo pelas vias
Sobre rodas
ou trilhos
São seis por dia
30 por semana
120 por mês
de conduções
que amontoam multidões
na espera da fila
do transporte público
imundo
que nos faz dormir com as baratas
acostumando-nos
às enguiçadas marchas
é o cotidiano
que me rouba horas
de um tempo
que não me pertence
nem controlo
dando presença
ao “natural” atraso
corredores,
buzinadas
e motores
nada acelera tudo se desespera
chacoalha feito montanha-russa
assim, fazendo do caos um retorno
da companhia por entre as páginas
que se multiplicam
além do número
das rodas,
trilhos
desenham um mundo
paralelo a esse
imagens e perspectivas surgem
acarretando no pensar
desconstrutivo
sob o olhar visto
da janela pra fora
intrigando as ideias
do meio que me expande


Raquel García.

As que não pariu

Feito choro antigo escorre em mim lágrimas em abundância ao encarar as histórias tão minhas em meio às relutâncias
Choro por minhas irmãs que são mulheres pretas de carapinha
Desagua as angústias de cada pílula engolida no dia seguinte muitas vezes não vivido por desfecho de um corredor frio e sangrento
Sigamos, irmãs! com nosso ori vivas pela força que nos impulsiona pra onde quisermos ir Raquel García.

segunda-feira, abril 28

Labi(o)riontos

Cheiro da pele
Convida
Eriça
Atiça


Aproxima
Natural
Tal química


Dança do pescoço
Que pra frente
Vai
Retrai
Saliva

Meu olhar
Debaixo pra cima
Te alucina

Contorce o corpo
Ímpeto
Inspira

Escracho
Oralizado
Eu lambuzo
Me esbaldo

Raquel García.

Intro

Sinto
Transmito
Respiro

Inisisto
Transpiro
Inspiro

Raquel García

Despertar

sonhos eróticos
mantém o fechar
dos olhos
eriçam meus mamilos
proporcionando o abrir
dos instintos
pra sentir
o que escorre de dentro
de mim
fico ardente,
sensível,
envolvente
por cada  perímetro dos poros
que exalam suor,
e aos poucos umedeço
minha calcinha,
assim, entorpeço
defloro,
faço manha
deixo o ambiente
perfumado à xana
rolo pelo edredom
contendo o meu som
retorço,
contorço
esboço
das partes minhas
que alucinam-se
em fantasias
ainda em horizontal
me imagino na frontal
e todo o fervor do pau
rebolo e debruço
não nego meus impulsos
explodo
(re)adormeço
na solidão aquecida


Raquel García

terça-feira, abril 8

Lixo social (ou espelho do ter)

cores alaranjadas
contrastam com o cinza
transitam dia a dia pelas calçadas
carregando pá e sacolas
passam por vielas,
escadas

por entre as vias 
são tão invisíveis
feito as pets 
arremessadas 
na rua ou na estrada

desde os paralelepídos 
às encostas
batucam, varrrem
pintam e recolhem

não são tão felizes
quanto a imagem do Sorriso
que globo se apropria no carnaval
e nos dias que correm
recolhem o mal-estar social

aquele acúmulo
do exacerbado consumo
carros, ônibus e pedestres
depositam seus dejetos
feito chuva torrencial

por toda parte
ainda há de se ouvir 
que aquilo é o que deve servir
esses homens e muitas mulheres

sob sol ou chuva
percorrem as falidas metrópoles
advindas de uma coroa velha
república antagônica

soterrados no próprio lixo
lixo urbano
das gentes, 
que somos nós
ditos cidadãos
urubus ambulantes

e quando garis cruzam os braços
isso é manifesto, revolta
sem necessidade de teoria
ou manual de rebeldia
é o povo!
a culpa não é deles
sobre os resíduos por aí
é simbólico
o cheiro do ralo

advindo do nosso próprio modelo
de sociedade
vagando em desconcerto
e descaso.

Raquel Garcia.