terça-feira, junho 14

Sol tardio

Olhar cansado
Braços entrelaçados
Bolsa cheia, mente vazia

Centímetro desocupado
Pés calejados
Bolsa cheia, barriga vazia

Cinzas de cigarro
Colunas sem espaço
Bolsa cheia, mente vazia

Buracos na estrada
Boca calada
Bolsa cheia, vida vazia

Vinte e quatro horas
Trezentos e sessenta e cinco dias

Raquel Garcia.

segunda-feira, maio 30

Calçada

Nas curvas do meio fio
Num estado desequilibrado
Banha-se em emoções
Esboça ideias sem nexo
Caminhando... pensando...
Olho profundo, fixo.
Cidade cinza
Dia frio e nebuloso
Incerto.
Na contra-mão
Um som
Longínquo
Destino quase inatingível
Dessa forma, subentendido.

Raquel García.

quarta-feira, abril 20

Da Alma I

Meu corpo não sente
O sangue que corre já não é do pulsar
Minha alma ferve
Com os olhos fixos, me trás uma paz...
Amor da minha vida!
Ultrapassa meus limites
Confesso que tamanho sentimento
Já não é da compreensão humana.

Da Alma II

Quilômetros de olhares pra te encontrar
Em mim, estranhas reações
Risos falhos 
Desequilíbrio e inconstância me tomam
Já não há razões
Tudo corre para um sentido, apenas.
Ou talvez encontrei o que estava perdido?
Ouço o som de uma nota só
Pulsa, pulsa, pulsa...
Desmorono!
Me perco como outrora 
Pois a incompreensão humana me deixou
Aqui, sem a alma.

Raquel Garcia.

sexta-feira, abril 15

Bicho sentimental

Alma, fogo...Intensidade!
Sentimentos e reações degustadas por cada sentido
Tão rápido que ainda sinto o vento da forte tempestade
Chuva de verão, cai e passa
Abrindo espaço para uma nova estação
Como uma folha em queda de outono
Passo pelo inverno com o coração quente
Aguardando mais uma primavera que pode ser amanhã
Feliz a cada estação
Mesmo com tantos erros de direção

Raquel Garcia

quinta-feira, março 31

Pretensão

pessoas se aproximam
destilam seu momento
sua vida
seu anseio...

onde restou? 

pessoas vem e vão
me carregam 
sem ao menos pedir permissão

onde estou?

pessoas fazem e me deixam
ali, de canto
no vazio

o que foi?
passou...

Raquel García.

terça-feira, fevereiro 22

E no meio da rotina, fazíamos POESIA

Naquele ônibus desequilibrado
Sem muita harmonia
Você e eu existia
A gente pensava
Nossas palavras voavam
Elas faziam o caminho
Numa intensa sintonia
Com muitos risos
Ao observar olhos cheios de melancolia
Pessoas cansadas
Carregadas de rotina
Mas nossos impulsos nos levava
A fazer poesia
Da vida
Quando o sol nos avisava
O inicio de um novo dia! 



Raquel Garcia.

quarta-feira, novembro 3

Pulsa, Pulsa, Pulsa....

Porque é feio se achar cheio
Não me canso de aprender, tenho anseios
Sou como uma cobra em caça
Enrosco minhas presas com vontade
Agarro a vida com verocidade
Sinto prazer e fico em chamas quando necessário
Tenho medidas, às vezes ultrapasso
Não gosto de certos termos
Mas de alguns eu temo
Honro o que pra mim é real
Mas tento lidar com minhas próprias mentiras
Me envolvo numa ilusão
E dela às vezes saio cheia de arranhões
Cicatrizes se formam, e sentimentos eu reformo
Não gosto de ódio nem de decepção
Faço deles um amontoado
De histórias e razões
Estimulados pelo coração.

Raquel Garcia

domingo, outubro 10

Mesclar

Olhar pra dentro de si
Transcender suas energias
Mesclar sentimentos
Inspirar almas
Usar mais da astúcia 
Falar pelos atos
Entender com os ouvidos
Ouvir com os olhos!

Raquel Garcia.

terça-feira, setembro 28

Querem um povo mudo!

Prestes à decidir, um futuro que já parece determinado?
Bebendo seu café em copos já usados...
Ruas inauguradas que já foram pisadas
Trabalhos impostos
Cargos de descarga
Cada dia uma vida na privada
Suas moscas bisbilhoteiras
Quase em estribeiras
Outubro voto nulo
Outubro querem um povo mudo

Raquel Garcia.

quarta-feira, agosto 25

Insensato

Os passos são demarcados
Caminhos pisados

Estradas cansadas
Pessoas desesperadas

Olhos imóveis
Audição falha

Bocas que não calam
Mentes que ensaiam

Ideias prontas
Mentiras improvisadas

Um mundo vago
Pessoas insanas

Situações instáveis
Vidas relativas

Pedaços de sentimentos
Sentidos desgastados

Hoje com ontem
Amanhã sem hoje

Fiz e faço
Desmonto,
Junto
Me despedaço

Raquel Garcia