quarta-feira, fevereiro 29

Ao sair, apague a luz

Voz que cala 
No escuro
Astuto

 olho que  fecha
Pro impulso
Intuito

Mãos que entrelaçam-se
No fluxo
Percurso

Respiração que para
Pro medo
Súbito

Audição que afina-se
Ao som
Profundo

Sentido que entorpece
Ao claro
Banido

Raquel García 



quinta-feira, fevereiro 23

Hoje


Hoje acordei com uma vontade de voar
Me lançar ao mar, me levar à Iemanjá
Hoje acordei com malícia entre os dedos
Vou molhar o meu corpo até sentir o gosto
Hoje acordei com vontade de sorrir
Te deixar existir, te procurar e insistir
Hoje acordei cheia de ganância
Quero o mundo pra mim, serei esperança
Hoje acordei meio fora do ritmo
Te darei o céu, quiça o infinito
Hoje acordei atropelando o edredom
Te trarei aqui, treparemos ali
Hoje acordei meio Bocage
Meus pensamentos atacam mais que uma selvagem
Hoje vou ser Drummond, Espanca ou Pagu
Amarei sem restrições, sem pudor ou opressões
Hoje acordei com vontade de mudança
Vou lançar uns dreads embolados feito trança
Hoje acordei fantasiada de tudo
Sendo o meu mundo
Destabilizando o conteúdo!

Raquel García.

Bonança


Ser mais d'alma, desaguar, transbordar em rio... Tudo o que seca desalma, vira raso, cria vácuo! Sendo assim, vamos lá aquecer e alimentar o vivo, o existir,  o estar. Pegue as malas, sem mapa, sem guias. Ouse novas curvas, crie passos e seja, seja e crie...levemente leve, se leve levemente. Molde a dança da menina- Eis seu único instinto. Foco! Sabido do fim. Dissimule acreditando nas incertezas da vida, tão sacana! Avante diz a largada sem ponto de parada. Caleje, Caleje... Não haverá muitos confetes. É poeira contra o vento, vento empoeirado, poeira no vento, "Dust in the wind"... Ponto. Basta compreender o que não se entende, a vida lhe sorri sarcasticamente.

Raquel García.

sábado, fevereiro 4

Poesia Despenteada

Minha Caligrafia desajeitada 
É minha Face projetada no papel
Agudos e Circunflexos 
Prioridades que as Entonações pedem
Vírgulas e muitas demonstrações
Dois Pontos
Exclamação é puro êxtase
Confesso que é um tesão Ortográfico
Reticências atrás de Reticências
Só pra te deixar encasquetado
E trocar umas Ideias
Cercadas de Analogias e modestos Neologismos 
Vamos ao Travessão seguido de dois dedos
Pronto, inicia-se o Paragrafo 
Predestinado ao Fim
Tanto sua por Amor
Ou mais uma centelha Existencial
Sendo a Poesia Livre
Uma das artimanhas pra sentir-se Livre
E de tão Buscadora dos meus Eu's
Resolvi deixar cada um Existir aqui
Nas palavras Emaranhadas 
Que bombardeiam meu Lírico
Pretérito, Futuro não Mais-Que-Perfeito
Apenas uma brincante de Poeta.

Raquel García.

Pertinência


Na contra-mão me lanço à frente
É tudo o que se passa 
Ao meu olhar encantado
Falta-me palavras
Leve impressão do quinto andar
Grande bola iluminada
Ao observar o infinito
Perco noção da estrada
Se é pra seguir
Vou para além do que se pode ver
Entre o tudo me desperto ao nada
Curioso, deixa estar...
Eu-Pássaro noturno
Sem minha amada
Tomo partido ensaiando meu voo
Um tanto louco, oco...

Raquel García.